Portas arrombadas, fiação roubada e objetos furtados. Espaço sagrado e símbolo de resistência volta a ser alvo de destruição em Salvador.
O Parque Pedra de Xangô, em Cajazeiras, foi invadido e depredado mais uma vez. Durante um encontro religioso entre lideranças do Candomblé, na quarta-feira (23), a administração do parque foi encontrada com portas arrombadas, armários destruídos, fiação arrancada e objetos dos funcionários furtados.
O espaço, tombado como patrimônio cultural em 2017, é considerado sagrado para religiões de matriz africana. No século XIX, abrigou o quilombo Buraco do Tatu, um dos símbolos da resistência negra em Salvador.

William de Oxalá, líder religioso e uma das vozes à frente da denúncia, afirma que os ataques vêm se repetindo desde 2024. “Isso não é apenas vandalismo. É abandono, é descaso com um patrimônio do povo de santo”, afirmou.
Segundo ele, após a troca de gestão, os problemas persistem. A atual administradora, também do Candomblé, vem mantendo o local praticamente sozinha. “Ela está pedindo socorro. Já registrou quatro queixas formais, mas não vê retorno. Não há segurança permanente no local, apenas nos dias de evento. Isso não acontece em outros parques da cidade. Por que só o Parque Pedra de Xangô é negligenciado?”, questiona.

Fundação Gregório de Mattos se pronuncia
Em nota, a Fundação Gregório de Mattos lamentou o ocorrido e informou que já encaminhou um ofício às secretarias responsáveis, solicitando medidas urgentes. A fundação também recomendou o reforço da vigilância e ações de prevenção para evitar novos ataques.
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