Lavagem de Itapuã celebrou 121 anos unindo tradição, fé, alegria e o povo na rua

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Festa antecipou o clima do Carnaval e homenageou o samba, tema da folia de Salvador em 2026

A Lavagem de Itapuã celebrou 121 anos nesta quinta-feira (5) reafirmando sua força como uma das maiores manifestações populares da Bahia. A festa, que antecedeu o Carnaval de Salvador, levou às ruas tradição, fé, identidade cultural e muita alegria, com o samba como grande homenageado da edição deste ano.

A celebração teve origem na lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã e, ao longo dos anos, cresceu com a participação popular. Hoje, ao lado da Festa de Iemanjá, a Lavagem é reconhecida como símbolo da união entre o sagrado e o profano nas grandes festas de rua da capital baiana.

Com o lema “Tudo Isso Acontece em Itapuã”, a programação reuniu manifestações culturais, religiosas e artísticas ligadas às comunidades ancestrais do bairro.

Cortejo começou ainda de madrugada

A Lavagem teve início ainda na madrugada, com a concentração à meia-noite e a saída do Bando Anunciador por volta das 2h. Às 5h, aconteceu a tradicional Lavagem Nativa, seguida da alvorada de fogos.

Às 7h, o grupo Mulheres que Incentivam desfilou no contrafluxo da festa, abrindo caminho para o cortejo das baianas do Coqueiral de Piatã e de diversos grupos culturais que ocuparam as ruas de Itapuã ao longo da manhã.

Samba, fé e resistência marcaram a celebração

Entre os destaques da festa esteve a Escola de Samba Unidos de Itapuã, que desfilou ao lado de blocos, charangas e cordões temáticos. Um dos participantes mais animados foi o babalorixá Pai Wellington Luís, presidente do Santuário Zé Pelintra Salvador.

Segundo ele, a homenagem ao samba reforçou o significado da festa.
“A Lavagem de Itapuã é tradição, é povo na rua. Em tempos de intolerância religiosa, estar aqui é marcar presença, resistência e força”, afirmou.


Comunidade mantém viva a tradição

Um dos homenageados da edição, o aposentado Ulisses dos Santos, de 84 anos, relembrou sua ligação com a festa desde a infância.
“A Lavagem de Itapuã é um sentimento que carrego comigo. Já vivi o melhor dessa festa. Muita coisa mudou, mas a resistência continua para que ela não morra”, destacou.

O coordenador do Departamento de Dança do Malê Debalê, Agnaldo Fonseca, ressaltou o papel da comunidade na construção da festa.
“São 121 anos de manifestação popular feita pela comunidade, envolvendo ganhadeiras, ambulantes e trabalhadores que movimentam a economia do bairro”, explicou.


Malê Debalê levou centenas de bailarinos às ruas

Cerca de 200 bailarinos do Malê Debalê participaram da Lavagem, antecipando o tema do bloco para o Carnaval de 2026: “Malê na Corte de Oxalá”. A expectativa é de que 600 dançarinos desfilem durante a folia oficial em Salvador.