PEDRA DE XANGÔ: De Quilombo a patrimônio de Cajazeiras

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FOTO: Pedra de Xangô, 2005

CAJACITY: Uma Grande Cidade Dentro de Salvador é uma editoria especial do Notícias Cajazeiras, que valoriza a história e a identidade do nosso povo.

No coração da Fazenda Grande II, às margens da Avenida Assis Valente, está um dos símbolos mais importantes da resistência negra em Salvador: a Pedra de Xangô. O que hoje é reconhecido como Parque Pedra de Xangô, foi no passado o Quilombo Buraco do Tatu, um refúgio para negros escravizados que fugiam das fazendas da região no século XIX. Com oito metros de altura e 30 de diâmetro, a pedra servia como abrigo e ponto de encontro para aqueles que lutavam pela liberdade.

A preservação desse espaço sagrado foi uma conquista do povo de santo, que desde 2009 se mobilizou pela sua proteção. Foi dessa luta que nasceu a Caminhada da Pedra de Xangô, realizada todo mês de fevereiro, liderada por Mãe Iara de Oxum e a comunidade. O caminho até a transformação da pedra em um parque sagrado passou por desafios e vitórias.

O Notícias Cajazeiras reuniu os principais marcos dessa história:

👉🏿 TOMBAMENTO
Em 2017, a Pedra de Xangô foi oficialmente tombada pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Matos (FGM). Protegida pela Lei de Preservação do Patrimônio Cultural do Município (8.550/2014), a área onde ficava o antigo Quilombo Buraco do Tatu também foi incluída no tombamento, tornando a Pedra de Xangô o terceiro monumento protegido pela lei.

ATAQUES E INTOLERÂNCIA
Apesar do reconhecimento oficial, a Pedra de Xangô enfrentou ataques. Em 2018 e 2019, um grupo não identificado jogou 100 kg de sal no monumento, um ato classificado como intolerância religiosa pela comunidade de terreiro.

🤍 PRESERVAÇÃO E RECONHECIMENTO
A luta pelo espaço sagrado continuou, e em 2020, começaram as obras para a criação do Parque Pedra de Xangô. O local passou por diversas melhorias e foi oficialmente entregue em 2022, durante as comemorações dos 473 anos de Salvador. No ano anterior, a Pedra de Xangô já havia se tornado palco de um marco histórico: o primeiro casamento afro-brasileiro realizado no espaço.

A história da Pedra de Xangô é a história do povo negro de Cajazeiras, da resistência, da fé e da luta pelo direito à memória. E essa luta continua!