Festa de Santa Bárbara abre o calendário de tradições populares da Bahia nesta quinta (4)

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Entenda a origem, como ela também representa Iansã e por que a celebração movimenta o Pelourinho há séculos.

A quinta-feira (4) marca um dos eventos mais fortes da cultura baiana: a Festa de Santa Bárbara. É ela quem abre oficialmente o calendário de festas populares da Bahia e arrasta milhares de devotos para o Pelourinho, em Salvador. É uma mistura de fé, ancestralidade e rua. Uma celebração que atravessa séculos e, mesmo mudando de endereço e de formato, segue com a mesma força.

Mas afinal… quem é Santa Bárbara?

Para o catolicismo, Santa Bárbara é a protetora contra raios, trovões e tempestades. Na história, ela teria sido morta após se converter ao cristianismo — e, segundo a tradição, um raio teria caído exatamente no momento de sua morte.

Essa ligação com o “céu que se abre” fez com que ela fosse associada, no sincretismo religioso baiano, à orixá Iansã, senhora dos ventos, das tempestades e do movimento. Em Salvador, essa união entre fé católica e religiosidade de matriz africana é o coração da festa.

Por que a festa é tão importante para a Bahia

Porque ela é a primeira grande manifestação popular do calendário, marcando o início do ciclo de eventos de dezembro, janeiro e fevereiro, período recheado de cortejos, missas, afoxés e carurus.

Além disso: Mantém viva a memória dos antigos mercados e da presença negra no Pelourinho. É patrimônio imaterial da Bahia. Move o Centro Histórico desde as primeiras horas da manhã. Reúne católicos, adeptos do candomblé, turistas e fotógrafos do mundo todo.

Como acontece a celebração

O dia começa cedo, com alvorada e missa na Igreja do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho. É dali que sai o cortejo, acompanhado por fiéis vestidos de vermelho, cor tradicional de Iansã/Santa Bárbara. As ladeiras ficam cobertas de pétalas, o cheiro de alfazema toma conta do ar e o som dos atabaques guia o percurso.

O cortejo segue pelo Centro Histórico até o 1º Grupamento de Bombeiros Militar, na Barroquinha. A corporação é devota de Santa Bárbara, considerada protetora dos bombeiros. E o ponto alto é sempre o tradicional banho de mangueira, um momento de alegria coletiva que simboliza proteção e renovação.

Caruru, música e rua cheia

Nos mercados, barracas e restaurantes da região, o caruru é tradição. O prato é oferecido como parte da homenagem — e atrai moradores e turistas durante todo o dia.

A festa também é rota obrigatória para fotógrafos e artistas. Os tons vermelhos, os balaios floridos e a fé emocionada viram imagens poderosas que rodam o mundo.

Onde tudo acontece

📍 Ponto de partida: Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos — Pelourinho
📍 Destino: 1º Grupamento de Bombeiros Militar — Barroquinha
📅 Data: 4 de dezembro
Manhã e tarde