VIOLÊNCIA: Fazenda Grande 4 e Castelo Branco estão no ranking de bairros mais afetados pela violência armada em junho

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O levantamento foi feito pelo Instituto Fogo Cruzado.

Com 6 tiroteios e 3 mortes, Fazenda Grande 4, na Região de Cajazeiras, liderou o ranking de bairros em junho, onde a violência armada fez mais vítimas. Já o bairro de Castelo Branco, também na Região de Cajazeiras, aparece no último lugar com 4 tiroteios e uma pessoa morta.( Confira lista no final da reportagem)

Ao todo, o levantamento apontou 155 tiroteios, com 121 mortos e 42 feridos, em todo o mês de junho em Salvador e Região Metropolitana. Das diversas ocorrências, houve destaque para o número elevado de adolescentes mortos por arma de fogo. Do total de 6 baleados, 5 foram mortos. Confira o ranking abaixo:

  • Fazenda Grande IV (Salvador): 6 tiroteios e 3 mortos 
  • Federação (Salvador): 6 tiroteios, 5 mortos e 4 feridos
  • Beiru Tancredo Neves: 5 tiroteios e 1 morto
  • Verdes Horizontes (Camaçari): 5 tiroteios e 6 mortos 
  • Fazenda Grande Retiro (Salvador): 4 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
  • Calabar (Salvador): 4 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
  • Castelo Branco (Salvador): 4 tiroteios, 1 morto

“Salvador e os municípios da região metropolitana estão diante de um cenário desafiador de violência armada. É necessário pensar num plano de segurança que canse o foco da coerção policial e que tenha no policiamento ostensivo sua única estratégia. É preciso focar na redução da letalidade e na diminuição dos tiroteios. É fundamental que se façam investimentos em políticas públicas direcionadas à juventude, pois, a violência armada afeta adolescentes de diversas maneiras, sendo o homicídio de membros da família e dos próprios adolescentes, um dos impactos mais perversos desse fenômeno”, relata Larissa Neves, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia e da Iniciativa Negra .

O perfil da violência armada

  • Foram registrados 155 tiroteios no mês de junho, 57 deles durante ações e operações policiais.
  • 163 pessoas foram baleadas: 121 mortos e 42 feridos. Destas, 149 eram homens (114 mortos e 35 feridos) e 13 eram mulheres (sete mortos e seis feridos). Uma pessoa não binária foi ferida por arma de fogo. 
  • Do total de 163 baleados, 46 foram identificados como negros e 117 não tiveram registro racial. Não houve registro de tiros em pessoas identificadas como brancas.
  • 12 pessoas foram mortas quando estavam dentro de residências.
  • Seis pessoas foram baleadas enquanto estavam dentro de bares (uma morreu e cinco ficaram feridas), duas em eventos (uma morta e uma ferida) e duas enquanto estavam em transporte público (uma morreu e outra ficou ferida). Uma pessoa foi morta dentro de um shopping e outra morta dentro de uma barbearia.
  • 17 pessoas foram mortas em chacinas.
  • Três pessoas foram mortas e três feridas por bala perdida.
  • Uma criança foi ferida, cinco adolescentes foram mortos e um ficou ferido, 115 adultos foram mortos e 40 ficaram feridos e um idoso foi morto.
  • 17 tiroteios foram registrados em meio a disputas, onde 18 pessoas foram mortas e 10 ficaram feridas.
  • Do total de tiroteios de junho (155), 15 ocorreram em meio a perseguições, que resultaram na morte de 11 pessoas e perderam três pessoas feridas.
  • Cinco ex-detentos foram baleados (quatro mortos e um ferido), um agente de segurança foi morto e quatro ficaram feridos. Três motoboys e um mototaxista foram mortos. 

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz 40 indicadores indicadores sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e de Salvador.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que são o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

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