Cortejo cívico reuniu devotos, grupos populares e o Batalhão Quebra-Ferro na caminhada da Lapinha até a Praça Municipal
A manhã desta quinta-feira (2) foi marcada pela emoção e pela forte devoção popular nas ruas do Centro Histórico de Salvador. O tradicional desfile do 2 de Julho, que celebra a consolidação da Independência do Brasil na Bahia, arrastou uma multidão de soteropolitanos e turistas que se reuniram para reverenciar as figuras emblemáticas do Caboclo e da Cabocla, símbolos máximos da resistência e da libertação contra as tropas portuguesas em 1823.
Desde as primeiras horas da alvorada, o clima era de celebração cívica e religiosa. Como dita a tradição secular, fiéis e filhos de santo coloriram o entorno dos carros alegóricos, depositando oferendas como alfazema, frutas e flores. Para as religiões de matriz africana, o momento carrega um profundo significado espiritual de conexão com os espíritos ancestrais que batalharam em solo baiano.
🗣️ Vozes da resistência e da tradição
O cortejo ganha vida através de personagens que dedicam décadas de suas vidas para manter a engrenagem da festa funcionando:
- Fé e Ancestralidade: O ativista Jadson Silva (Pai Ioiô), morador do Matatu de Brotas e participante há 35 anos, destacou o desfile como um ato de luta contínua. “A nossa independência ainda não acabou. A luta continua contra as desigualdades sociais. O desfile é o fortalecimento da nossa ancestralidade”, pontuou.
- Guardiões dos Caboclos: Pedro Raimundo Zambolo, que atua há 44 anos no Batalhão Quebra-Ferro — grupo responsável por proteger e conduzir os carros dos Caboclos —, relatou a emoção de colocar o bloco na rua após um período intenso de preparativos, que este ano coincidiu com as demandas da cobertura da Copa do Mundo.
🥁 Roteiro cívico e paradas estratégicas
Após o hasteamento das bandeiras e a execução do Hino Nacional pela banda da Marinha do Brasil, o desfile oficial partiu às 9h da Lapinha com forte participação de fanfarras, filarmônicas e os Caboclos de Itaparica. O trajeto matutino contou com três paradas protocolares de grande valor simbólico:
- Convento da Soledade: Breve parada para homenagear os heróis da pátria;
- Ordem Terceira do Carmo: Pausa para pronunciamentos oficiais das autoridades;
- Igreja do Rosário dos Pretos: Homenagem especial em referência à Irmandade dos homens pretos.
Ao final da manhã, as imagens do Caboclo e da Cabocla foram recolhidas nos caramanchões montados na Praça Thomé de Souza (Praça Municipal). A programação festiva segue durante a tarde, com o reinício do cortejo às 13h em direção ao Campo Grande, onde o público aguarda o tradicional encontro de filarmônicas sob a regência do maestro Fred Dantas.



